Para quem ainda não viu o cover cearense da cantora Rita Lee e Os Mutantes, o Jardim Suspenso, vale a pena passar no Sesc Senac Iracema, nesta sexta-feira (24), às 20h. O repertório da banda trará a fase de composições mais roqueira da cantora paulista. O grupo é formado por Joanice Sampaio (voz e direção musical), Pedro de Farias (guitarra), Beto Martins (baixo), e Carlinhos Perdigão (bateria).
Serviço
Banda Jardim Suspenso - tributo a Rita Lee e Mutantes No Sesc Senac Iracema (Rua Boris, 90c, Praia de Iracema, ao lado do Centro Dragão do Mar) Dia 24 de setembro (sexta-feira), às 20h Ingressos: R$ 6 (inteira) e R$ 3 (meia). Informações: (85) 3452.2215 /3452.1242 e 8784.1741.
Com um repertório composto de músicas darainha do rock nacionale dos saudosos Os Mutantes, a banda Jardim Suspenso se apresenta nestasexta-feira(23), no Bar Rota 66( Travessa Manoel Maia, 100 esquina com Avenida Soriano Albuquerque, entre as ruas Carlos Vasconcelos e Barão de Aracati) ,às 22h.
O grupo recente, de 2010, é formado por músicos experientes: Joanice Sampaio (Voz), Pedro Farias (Guitarra), Beto Martins (Baixo), David Alencar (Teclado) e Carlinhos Perdigão (Bateria). Apesar de tocar músicas de Rita e Os Mutantes, a banda diz não se limitar só a estas músicas.
Serviço
Show da Banda Jardim Suspenso - Tributo a Rita Lee e Mutantes. Bar Rota 66 (Travessa Manoel Maia, 100 esquina com Avenida Soriano Albuquerque, entre as ruas Carlos Vasconcelos e Barão de Aracati. - confira mapa abaixo.) Sexta-feira, dia 23 de julho de 2010, às 22 horas Couvert: R$ 4,00
“Eu quis me libertar” – assim declarou Arnaldo Dias Baptista, quando tentou suicídio em 1982 numa clínica em São Paulo. Os Mutantes, para Rogério Duprat, aparecem como a banda mais importante do movimento tropicalista. O fim dos Mutantes e o recomeço. Kurt Cobain escreve uma carta para Arnaldo em 1993. Beatles, Rolling Stones? “Eles não têm uma cantora” – diz Arnaldo irônico. “Cê tá pensando que eu sou loki, bicho?”. Uma história de amor. Rita Lee, onde está você? Rita Lee pra quê?
Mente libertária, visionário, músico, artista, romântico, risonho, irônico, viciado, louco. Louco. Louco? Bom, isso é o que diria a imprensa no final dos anos 70 sobre um dos maiores ícones do rock nacional. Arnaldo Baptista teve uma carreira conturbada, cheia de realizações, decepções e disco voadores. Sorriu, criou, brincou, cantou, chorou, sobrevive e nos conta estórias. Loki – documentário de Paulo Henrique Fontenelle – vem a resgatar o que há de mais intrigante na vida de Arnaldo e na carreira de uma das bandas de rock mais ousadas do mundo em termos de sonoridade: Os Mutantes.
Impossível nunca ter ouvido falar dos antigos festivais da Record que passavam na TV ou mesmo tê-los visto. Ali nascia grande parte da música nacional. Ali se criava identidade. Ali nascia o movimento tropicalista quando Gil e Caetano decidiram colocar bandas de rock para lhes acompanhar. Os Mutantes tocaram com a orquestra de Rogério Duprat e Gil, na canção “Domingo no Parque”, em 1967. A partir de então, o experimentalismo e a reviravolta na música estava feita. Rita Lee, Arnaldo Baptista e Sérgio Dias quebravam paradigmas, subiam alto ao misturar tantos estilos numa só música, ganhavam espaço na mídia e transformavam de vez o rock nacional. A diferença estava tanto na música, como nas roupas, nas letras e no comportamento dos três jovens. Nas imagens, Arnaldo Baptista, com seu contrabaixo, sempre sorrindo, tomava frente da banda. A instrumentação, a base das músicas, as letras, o próprio jeito mutantes de ser, vinha da frutífera parceria de Rita e Arnaldo.
O Filme
O filme-documentário do Canal Brasil consta com muitas imagens de arquivo: são apresentações fora do país, festivais nacionais e fotos, além de uma ótima trilha embalada por Mutantes e músicas da carreira solo de Arnaldo. Tom Zé, Gilberto Gil, Sérgio Dias, Lobão, Devendra Banhart, Liminha, Dinho Leme e o próprio Arnaldo são alguns dos entrevistados que fazem a história renascer diante dos nossos olhos. Torna-se um documentário rico e valioso, tanto pelo registro histórico, como também pela falta de coisas parecidas e tão bem contadas.
Linearmente seguimos a vida de Arnaldo Baptista. Seu nascimento em 6 de julho de 1948 em São Paulo, seu primeiro contrabaixo elétrico, suas primeiras bandas de rock e sua paixão pela música. Desde cedo, também estudou piano, influenciado por sua mãe, pianista. Um rapaz de poucas palavras, tímido, mas que adorava tocar com seu irmão guitarrista Sérgio Dias. A criatividade e o rock’n’roll: duas palavras que o definiriam bem. Até chegar na sua mais fervorosa realização, ter uma base, ter uma banda, que literalmente foi sua família. Casou-se com Rita. Nasciam Os Mutantes, cresciam e tocavam no exterior, coisa que pouca banda nacional fizera. Tocavam em rede nacional as mais fervorosas canções lunáticas de amor, um amor verdadeiramente marcado por um romance e união na banda. O colorido dos Mutantes contagiava e Arnaldo sorri para nós nas imagens. Ele precisa disso, precisa estar no palco.
E assim Arnaldo segue sua carreira. Mesmo com o fim de seu casamento com Rita e o fim dos Mutantes. Um período realmente difícil na sua vida. Segue até hoje e é um mistério ainda, apesar de no filme termos elucidações sobre o assunto, o fato do termino do casamento, a briga e o fim do relacionamento de Rita e Arnaldo. Fatores musicais e pessoais se confrontaram. E foi triste. Como se tudo que era doce se acabou. Desentendimentos sempre há, mas aquilo era o fim, o começo do fim dos Mutantes, que ainda tentavam continuar sem Rita. Mas pouco se produziu.
Da parte de Rita, nada se ouve, nada se diz. Ela recusou-se a participar do filme e também da ultima formação dos Mutantes em 2006, quando Arnaldo e Sérgio voltaram a se reunir. No documentário, os depoimentos são emocionados, quando se trata do fim, Liminha conta que foi correndo chorar quando eles o anunciaram.
O Mutante
O psicodélico e o progressivo chegavam nas veias de Arnaldo nos anos 70. Mudou e sofreu com a separação. Chegou de vez então com sua música cada vez mais experimental. Mas não estava bem, afundou-se nas drogas. E sua criatividade e espontaneidade foram se misturando às denuncias de loucura e dependência. Foi uma fase que lhe afetou e lhe inspirou ao mesmo tempo. Seu grande disco, enquanto seguia carreira solo, “Loki” (1974), resume, de certa forma, todas suas angústias, valores, críticas e a incrível dor de ser. Do ser humano tão sensível, do grande músico que é e o que conseguiu transmitir para todos: que estamos todos a flor da pele, nem tão longe assim da loucura, apenas somos o que acreditamos, há beleza nisso tudo.
Arnaldo passou por tempos internado. Sua tentativa de suicídio, em 1982, quando se atirou da janela de um hospital, é retratada por ele como uma tentativa de liberdade. Ficou em coma por um tempo e só o amor lhe salvou. Lucinha Barbosa, que a princípio era uma fã, deu-lhe a paz. Casaram-se e hoje vivem em Juiz de Fora, Minas Gerais, num sítio. “Tudo isso foi um recomeço”, diz Arnaldo, alimentado pela esperança do seu novo amor. Além de compor, gravar e fazer turnê com a formação mais recente dos Mutantes, com Zélia Duncan, ele dedica seu tempo a pintar telas, sua mais nova terapia.
As cores, depoimentos, imagens e músicas de Arnaldo estão eternizadas neste longa-metragem. Na verdade, há uma lição de vida. Há a esperança e o reflexo de um ser puro que é Arnaldo. A obra aberta que constrói Paulo Henrique Fontenelle está para todos os corações jovens, esperançosos e felizes, como o de Arnaldo.
Info:
Título original: Loki - Arnaldo Baptista Gênero: Documentário Tempo: 120min Site oficial: http://canalbrasil.globo.com/loki/ Ano: 2009 Direção: Paulo Henrique Fontenelle